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sábado, 20 de agosto de 2016

O Pudor Natural

Quem gosta do Mundo de Sofia? Eu particularmente adoro. E foi relendo algumas páginas (para reforçar meus conhecimentos) dessa obra prima que me deparei com uma pergunta que me fez não aceitar as respostas dada pelo(s) autor(es) Jostein Gaarder e/ou Sócrates e me pus a analisar uma certa afirmação. No capítulo "Sócrates" do livro, é citada uma pergunta: "Existe um pudor natural?". A resposta dada pelo autor (no enredo) das cartas é, grosso modo: "Não. São fatores sociais. Um bom exemplo disso seria estar nu. Para nós é um pudor, mas em certos países ou até mesmo em certos locais mais específicos, estar nu é permitido."

Então, será que o pudor, de fato, não pode ser inato? Eu concordo plenamente que o pudor não é natural, mas talvez haja um certo erro de sequência de definições, o que mostra a fraqueza não das afirmações do Gaarder, mas das definições da língua e da linguagem.

Primeiramente eu gostaria de analisar a definição de pudor, ou seja, o pudor de forma geral, e não um conceito único. Em minhas pesquisas super demoradas e suscitas, digo, numa rápida buscada no google, temos que pudor é "o que impede que a pessoa faça algo indecente, é a vergonha de mostrar o corpo, de ficar exibindo-se, de diversas maneiras". Mas vem cá, o que é indecência, afinal?

De acordo com o www.dicionarioinformal.com.br, é "imoral, ridículo(a), sem decência". Acho que vamos ter que analisar os três significados também, um por um.
Pesquisado no mesmo site, temos que:

Imoral é "Tudo aquilo que foge as regras de conduta tido como verdade social impostas pela população, sendo diferente a moral de cada região";
Ridículo é "De pouco ou nenhum valor; irrisório, insignificante, mesquinho";
Decência "tem haver com respeito aos bons costumes,reserva, dignidade nas maneiras e na linhagem" - Apontando o fato que no site, estava escrito "digindade" e não "dignidade". Tudo bem, é só um site, só um dicionário, ninguém liga para esse escroto erro de ortografia.

Ora, temos que nenhum desses significados significa, em sua definição particular, algo relacionado à indecência, apenas palavras que -podem- (assim como podem não) ser relacionadas a esse sentido específico. Pronto, descobrimos que uma das definições dadas é falsa. Se a primeira afirmação, "o que impede que a pessoa faça algo indecente", fosse a única citada pelos dicionários, eu estaria feliz em afirmar que existem sim pudores naturais.

Não há motivos para alguém ser ridículo numa situação em que a sociedade não é levada em consideração, mas ainda sim é passivo de acontecer. Não vejo como uma pessoa isolada que seja, no mínimo, 100% preservada e consciente do sentido de "normalidade" e "regularidade", agiria de forma ridícula. Ou seja, um pudor natural.

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