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sábado, 13 de agosto de 2016

O Truque das Coisas

"Diversas vezes somos enganados pelos sentidos". Já estou cansado de ler e ouvir isso, essa frase vai ficar impregnada na minha cabeça por toda a eternidade. Mas há uma concepção de mundo totalmente nova que elimina todo o resto e que torna tudo aquilo que existe imprevisível e passivo de dúvidas. Essa concepção é a de que nós criamos nossos próprios sentidos.

Adotando um pensamento solipsista, por exemplo, no qual podemos assumir que a única coisa da qual você pode provar que é dotada de existência em todos os níveis e sentidos é a si mesmo, pois é provável a sua própria razão, podemos aplicar a concepção do sentido próprio. Se nada aquilo que é exterior a você próprio é verdadeiro, ou seja, se até suas mãos, pés, chão e universo são falsos, a única explicação para a pseudo-existência de tudo isso seria a criação própria dos sentidos de uma forma subconsciente e inacessível.

Tudo bem que hoje em dia, através de alguns processos como hipnose, temos acesso ao sub-consciente. Mas se até aquilo que acessa o nosso sub-consciente é falso, sua efetividade no próprio ser existente também é falsa, já que é mera ilusão criada pelo sub-consciente verdadeiro. Digo isso pelas minhas próprias experiências sensíveis e assustadoras.

Basta assistir alguns vídeos com temas de terror para eu começar a ver coisas onde não existem, que são logo disfarçadas pelo mundo externo. Sabe aquela toalha que virou um demônio branco? Pois é. Como pode garantir que por algum momento ela não foi de fato um demônio branco? Num mundo totalmente falso, a mudança iminente das coisas é um fato crível e simples.

Quer outro exemplo? Basta um baita dum cansaço para que quando eu deite e me concentre em algo, ouça algum som fora do lugar. Por exemplo: Estou quase dormindo e pensando em uma conversa na minha cabeça. De vez em quando posso ouvir uma dessas vozes claramente falando perto de mim, o que logo para, já que me surpreendo com o ocorrido e me volto para a realidade. Isso mostra como a interligação entre imaginário e real é uma linha tênue facilmente modificável.

Mais importante ainda do que estabelecer que há a probabilidade dos sentidos serem criação própria é estabelecer um ponto concreto onde não podemos ser questionados a respeito do fato. E a resposta está na própria afirmação de que "há a probabilidade dos sentidos serem criação própria", pois -Em uma concepção própria- nada que é de razão em si pode ser considerada como tal antes de passar pelos sentidos. Mas se os sentidos são, em si, propriamente falsos, a informação racional é passada de forma igualmente errônea, ou se desvia quando chega a nós, e nos impede de raciocinar corretamente, o que implica em podermos ou não fazer aquela afirmação em primeiro lugar.

Entretanto, seguindo essa linha de raciocínio, terás provado que está certo pelo simples fato de estar errado pela representação da razão ter sido passado de forma errada pelos sentidos, que são errados mas que, nunca seriam se não fossem criação de um ser imperfeito em primeiro lugar.

Você existe?

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